sábado, 5 de dezembro de 2009

AS MARCAS DEIXADAS POR UMA MÃE

Quando pensamos em marcas, temos a tendência de associar tal assunto com algo violento, sugerindo abuso físico e psicológico causado à vida de alguém. Entretanto, sob o ponto de vista do cuidado e do amor, é possível marcar muitas vidas, não importando o grau dessa atenção.
Partindo deste princípio, ao ler a história* comovente do campeão das Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas [o jovem Ricardo Oliveira da Silva, 19, vítima de amiotrofia espinhal, doença neurológica que causa a atrofia da medula espinhal e fraqueza muscular, foi alfabetizado pela mãe, a dona de casa Francisca Antônia da Conceição, 45, que interrompeu seus estudos na sexta série], chego à conclusão de que há muitas mães que desconhecem o fato de que marcam as vidas de seus filhos todos os dias, de tal forma que algumas destas marcas serão lembradas por muitas gerações.
Como disse no início, marcar vidas, principalmente as de nossos filhos, é como uma via de mão dupla.
Podemos ferir com palavras, bater, desprezar suas necessidades.
Ou abençoar com atitudes de amor, baseadas na Palavra de Deus.
Contudo, é importante pensar que sempre deixamos marcas, de uma forma ou de outra.
No caso de dona Francisca, mãe de Ricardo, nota-se que a marca deixada foi a de atenção ao potencial intelectual do filho, levando-o a obter êxito na matemática. Sendo assim, é razoável pensar que, se é possível imprimir marcas no intelecto do filho, é também provável deixar sinais em sua conduta moral /espiritual.
A Bíblia Sagrada relata os efeitos das ações maternas sobre os filhos, a ponto de recomendar que nunca desprezem qualquer tipo de instrução.
“Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe” (Provérbios 1:8); “Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe” (Provérbios 6:20); “O filho sábio alegra a seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe” (Provérbios 15:20).
O que será que Deus queria dizer com “não deixes a instrução de tua mãe”?
Não é incorreto pensar que tais instruções definem o futuro do filho.
Deus não define quais são estas instruções.
Seja ensinando como se faz um bolo ou tratando com a futura esposa de seu filho, cada esforço empreendido para instruir os filhos é extremamente importante. Continuem firmes, mães!
Outra expressão que deve chamar nossa atenção é “o homem insensato despreza sua mãe”.
Será que Deus sente pena das mães que são desprezadas, simplesmente porque saem perdendo com o desprezo dos filhos?
Não!
Deus sabe o potencial que Ele mesmo transferiu às mães: o discernimento, a sensibilidade, a percepção de futuro.
E tudo para quê?
Para marcar as vidas dos filhos e ajudá-los a serem bem sucedidos no propósito que Deus reservou a cada um.
Portanto, quando um filho despreza a instrução de sua mãe, ele é quem mais perde, tornando-se escravo de sua insensatez.
E embora a mãe sinta, Deus usará a marca que ela deixou em seu caráter e cobrará a consciência do filho.
Agora, se a mãe não o instruiu, ela deve mudar seus conceitos, se arrepender e pedir perdão a este filho.
Desta forma, produzirá no filho uma reação favorável a uma mudança de conduta, até porque esta atitude ficará marcada para sempre em sua vida.
A oração de uma mãe, sua dependência de Deus, sua sensibilidade espiritual, que muitas vezes nem é transmitida por palavras, mas naturalmente vivida no cotidiano, são notadas por seus filhos e se tornam marcas perpétuas sem que ela perceba.
A carícia que você faz, o encorajamento que transmite diante das dificuldades, a comida saborosa, o beijo de boa noite, aquele alerta do tipo “se cuida, tenha juízo” antes de sair e os ensinos sobre o relacionamento com Deus jamais serão esquecidos!
Por fim, escrever sobre este assunto trouxe uma alegria profunda em meu coração.
Meu maior desejo é que você, que é mãe, entenda que seu potencial de marcar a vida de seu filho ainda não terminou.
Hoje mesmo você fez isso.
Entretanto, resta lembrar se as marcas deixadas por você serão lembradas no futuro.

Pense nisto!

Pr. Humberto Freire

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