quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ANSIEDADE É PECADO ? ? ?

Manter-se tranqüilo diante das adversidades é um desafio para todos os homens.
Lembro-me das tantas vezes em que estive ansioso, preocupado, com situações que se resolveram posteriormente na mais perfeita paz.
Sofri a toa.
Poderia ter escolhido confiar e permanecer em repouso, como um belo pardal saltitando no telhado, entoando um cântico de louvor ao céu.
Jesus disse que nenhum desses pequeninos pássaros está distante de seus olhos.
Ele tem a conta de cada um.
Por que não teria de mim?

Foi quando me preparava para ministrar sobre o capitulo seis de Mateus (cuidados e inquietações) que recebi de Deus a instrução: “Ansiedade é pecado”.
Que descoberta!
Não tinha esse item em minha lista de pecados.
Mas foi só observar atentamente os versículos para constatar que eu era um pecador em potencial, precisava imediatamente me corrigir.
Pequenas coisas costumavam tirar meu sossego.
Se eu queria tanto agradar a Deus e ser ouvido de forma eficaz em minha caminhada com Cristo, algo tinha que ser feito.

“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Por isso, vos digo: Não andeis cuidadosos quanto a vossa vida...”
Mt 6:24, 25.

Mamon é um sinônimo de “deus do dinheiro”, também indica um sistema de materialismo.
Esse verso é bem conhecido e citado individualmente para designar idolatria. Mas ao prosseguir na leitura, Jesus complementa: “Por isso, não andeis cuidadosos”.
Ou seja: “Por este motivo, por esta causa, não andeis cuidadosos quanto a vossa vida”.
A ansiedade é uma conseqüência do abandono de Deus.
Ela acontece quando supervalorizamos o material em detrimento do espiritual.

A tradução para “andeis cuidadosos” é “merimzao” de “merizo”, que quer dizer “dividir em partes”.
A palavra sugere uma distração, uma preocupação.
Ao ficar ansioso, eu divido minha mente, minha força, minha adoração com outros que não Deus Único e Verdadeiro.
Ao dividir a mente, entrego a vida na mão de “outros senhores”.
Uma desobediência, um agravo ao senhorio de Cristo.
Porque, se Ele reina em mim, devo ser absolutamente Dele.
Se Ele me satisfaz, não há necessidade de estar insatisfeita.
Se Ele é tudo para mim, por que vivo como se me faltasse paz?

Alguém diria: Impossível não ficar ansioso!
Também já pensei e agi dessa forma, carregando um pesado fardo de coisas que julgava serem pedras, quando não passavam de penas.
Mas também, já carreguei pedras que não caberiam em um fardo.
Seria necessário um guindaste para removê-las.
Graças a Deus e por sua eterna misericórdia, aprendi que não preciso agir como se estivesse sozinha no mundo.
Jesus é o que nos dá descanso, e fortalece.
Nele é possível encontrar calmaria em meio à tempestade.

É só olhar para Cristo.
Em Seu ministério terreno, teve todos os motivos do mundo para estar ansioso e não esteve: Perseguido, caluniado, com a missão de resgatar a humanidade, tendo conhecimento de sua morte e ainda assim, nunca, jamais perdeu a fé e a tranqüilidade.
Retirava-se para os montes em longas horas de oração.
Poucas horas antes de ser capturado pelo exército romano, Jesus retira-se para o jardim Getsêmani na companhia de seus discípulos e diz para eles: “Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar” Mt 26:36.

Ele nos dá a mais preciosa receita contra a ansiedade: “Vou orar”.
Na oração, Jesus encontrou refúgio e força para os dias de angustia.
Ele passava horas em conversa com o Pai.
Nada, absolutamente nada, foi capaz de fazer com que Jesus ficasse ansioso. Bem, é verdade que Ele ficou um pouco furioso com uns mercadores no templo e derrubou mercadorias com uma espécie de cordão.
Mas isso não constitui ansiedade.
Porque esse sentimento maquina a respeito de "impossibilidades" ou de abundantes possibilidades.
A atitude de Jesus tem a ver com justiça, pleno dominio de si.
Certeza da vontade de Deus.
Um servo inteiramente sob o dominio do Senhor.

E por ter vencido todas as imposições do materialismo é que Jesus se oferece como solução para ajudar aqueles que não conseguem se livrar dos fardos, da ansiedade.
Ele venceu, até mesmo a morte.
O mais angustiante sentimento existente no Universo.
Dor para quem vai e para quem fica.
Ele venceu e ressurgiu para glória do Deus Pai, e abrigo para os perdidos.
Ele mesmo é quem diz: "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas"
Mt 11:28,29.

Não precisamos estar ansiosos.
Esse mal tem remédio.
Não é um paleativo apenas, é um bálsamo diário para todas as situações. Entremos no jardim do Getsêmani.
Oremos sem reservas.
Confiando toda nossa mente a Deus.
Sem dividir com nada, nem ninguém.
Lembram-se do que Jesus falou a Marta?
"Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas mas uma só é necessária. Precisas imitar Maria, que escolheu a boa parte" Lc 10:41,42. Enquanto a mente e a presença de Marta se dividia entre a sala, cozinha e outras partes da casa, Maria repousava aos pés de Jesus.
Marta correndo afadigada e Maria ouvindo o Mestre, confessando seus medos, aprendendo, sendo edificada, recebendo refrigério.

Marta ansiosa, ainda perguntou; "mestre, não te importas comigo"?
A ansiedade sempre procura um culpado.
Ela se move na direção dos problemas, não das soluções.
O ansioso considera que pensar demais no problema lhe trará a solução.
Mas não.
Isso só faz com que moinhos de vento se transformem em monstros.
Você conhece essa lição contida na obra de Miguel de Cervantes?
A fim de proteger a donzela por quem estava apaixonado, Dom Quixote se atira em um moinho de vento, acreditando tratar-se de um monstro de garras destruidoras.

Assim acontece conosco.
Transformamos moinhos de vento, em monstros e sofremos desesperadamente tentando destruí-los .
Deus olha para nós e diz: "Filho, não temas, olha para mim, tenho o controle do moinho, sei a direção do vento, descansa". Em silêncioso clamor respondo: " Preenche-me Senhor, fortalece-me e guarda-me de servir a Mamon".

No Amor de Jesus,
Pr. Humberto Freire

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