segunda-feira, 27 de julho de 2009

ANDAR ENTRE AS PARTES

Respondeu-lhe o SENHOR: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho”. Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou. (...) Depois que o sol se pôs e veio a escuridão, eis que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais. Naquele dia o SENHOR fez aliança com Abrão...(Gênesis 15.9, 10, 17 e 18a)
Temos, no texto acima citado, a primeira menção bíblica de um ritual antigo que integrava o cerimonial de aliança, trata-se do ritual de andar entre as partes. Todo o ritual da aliança é bastante complexo contendo algumas partes onde há a leitura dos termos, o corte da aliança, a troca de presentes e o estabelecimento do memorial. Alguns rituais têm natureza positiva enquanto outros uma natureza negativa. Neste ritual, de natureza negativa os pactuantes degolavam um animal (no caso aqui foram três animais) e em seguida partiam-no em duas partes iguais. A cena toda era muito repulsiva e tinha como propósito chocar, imprimir na mente dos pactuantes uma indelével impressão de horror. Tudo era feito no mais absoluto silêncio para que a impressão pudesse ser mais forte possível. Depois do ato de dilacerar o animal, as duas partes eram dispostas uma frente à outra e os pactuantes andavam entre elas. Cada pactuante anda entre as partes olhando atentamente para elas. Ao final da caminhada ambos se encontram novamente frente a frente e olhando nos olhos do parceiro de aliança eles dizem: “Se eu for infiel a você eu lhe dou o direito de fazer comigo o que foi feito a este animal”. Trata-se da palavra empenhada. Um juramento é feito após um ritual cheio de dramaticidade. No cerimonial de casamento não temos a representação dramática do animal dilacerado, mas a palavra empenhada continua tendo o mesmo peso. Quando juramos fidelidade vitalícia ao nosso consorte estamos nos colocando debaixo do mesmo ônus assumido pelos pactuantes antigos quando realizavam o ritual de andar entre as partes. Deus foi testemunha de nossa palavra empenhada e levou à sério cada palavra pronunciada em sua presença. Se lermos os verso 12 veremos que Abraão não andou entre as partes, ele foi colocado para dormir. No verso 17 temos a afirmação de que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais. O Messias, Jesus Cristo pré-encarnado, fez a parte de Abraão e assumiu sobre si a maldição da aliança. Sabemos que os filhos de Abraão não foram fiéis à aliança:
E entregarei os homens que traspassaram o meu concerto, que não confirmaram as palavras do concerto, como eles fizeram diante de mim com o bezerro que dividiram em duas partes, passando pelo meio das duas porções. Jeremias 34.18
Mas Jesus Cristo, o descendente de Abraão (Gálatas 3.16), teve seu corpo partido (Mateus 26.26), e desta forma se fez maldição em nosso lugar (Gálatas 3.13). O sacrifício de Cristo em nosso lugar demonstra a graciosidade de Deus em prover-nos um substituto e ao mesmo tempo nos fala de sua severidade diante da transgressão cometida quando deixamos de ser fiéis nas alianças que assumimos mediante nossa palavra empenhada. Nós que temos luz e sabemos da seriedade do ato de entrar em aliança com alguém, devemos ter em mente que a aliança é o ideal divino para nós e Ele é o maior interessado em que permaneçamos fiéis. Não devemos temer entrar em aliança, o que devemos é buscar o auxílio divino para jamais incorrermos nas penas previstas para os infiéis. Como já foi dito acima, este rito é negativo e visa tão somente alertar os pactuantes quanto à gravidade da infidelidade. Nos ritos que antecedem e sucedem a este há outros fatores positivos que tornam a aliança algo não somente desejável como também agradável. A confiança em Deus e a renovação contínua de nossos votos conjugais são essenciais para permanecermos fiéis até que a morte nos separe.

Pr. Humberto

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